10 setembro 2006

Passada de tractor

Ao deparar-me com esta foto relembro sempre, com saudade, uma frase de um visitante assíduo deste blog que, quando nos encontravamos ao fundo desta avenida, me dizia: "isto sobe-se sempre, metes a passada de tractor e é até lá acima". Eram exactamente 900 metros a subir e não é que ele tinha razão.

Pérola ou Vergonha 2 - Adam Curry

Éramos tão pequeninos e afastados do mundo que um apresentador de televisão tinha honras de vedeta.
O projecto TV Europa que a RTP2 transmitia durante as tardes, de segunda a sexta, começava às 16 horas com um programa chamado Countdown. O apresentador era um rapaz louro de nome Adam Curry que rapidamente se transformou em vedeta nacional. Chegou a fazer uma digressão por Portugal só para... dar autógrafos.
Mas a realidade é que só tinhamos 2 canais, a oferta escasseava, todos eramos obrigados a ver o mesmo e... em terra de cegos quem tem olho é rei.
Na altura o que se ouvia na Europa chegava cá enlatado 2 ou 3 meses depois. O Adam apresentava as últimas novidades da Europa, online, o que fazia dele um profeta, um visionário. As músicas que nos mostrava apareciam, como entradas directas, num qualquer top de uma qualquer rádio portuguesa mais de um mês depois de ele já as ter mostrado em "telediscos".
O Adam era, mais ou menos, um Robert Zemeckis que construira uma máquina do tempo e que viajava do futuro para nos contar como era, alguém que nos mostrava músicas como quem diz: "vocês um dia hão-de vir a ouvir isto". E a verdade é que ouviamos.
Como nós também este senhor evoluiu e actualmente é considerado o pai do podcasting, um método de distribuição de ficheiros multimedia, audio e video, para que sejam ouvidos e vistos em aparelhos móveis e em PC's. É verdade, quem diria. Este gajo. O puto loirinho que apresentava o countdown é um dos cérebros do ipod. E vá lá a gente adivinhar.

09 setembro 2006

Pérola ou Vergonha 1 - José Cid

Inicio aqui mais um conjunto de posts temáticos desta vez dedicado aos melhores anos da nossa vida e às suas memórias. Quer sejam pérolas ou vergonhas são marcas de um tempo em que vivíamos com 2 canais de televisão, sem internet, sem telemóvel e onde o último episódio de uma novela mexia mais com o país do que uma meia final do campeonato do mundo. Como foi possível sobreviver? E para começar nada melhor que o Rei. O Elton John da Chamusca, o homem que disse que “se o Elton John tivesse nascido na Chamusca não tinha tido tanto sucesso como eu” ou que “se o Rui Veloso é o pai do rock português, eu sou a mãe”. No dia em que a televisão começou a transmitir a cores, o Zé apareceu de preto com a palvra CID bordada na camisola e um casaco de napa cor de lagartixa para ganhar o Festival RTP da Canção. Estávamos em Março de 1980 e começava aqui uma década de ouro. Poemas como “Naquele tempo, tu vinhas de noite à procura de amor. E eu fumando um cigarro esperava por ti...” ou “Lá vai o Zé da Anita chegou a noite e o Zé lá vai, a Anita não é bonita mas acredita que a noite cai" fizeram dele uma das imagens de marca dos anos 80. Para muitos uma pérola, para outros uma vergonha mas é o Zé Cid, uma personagem incontornável do panorama da música portuguesa.

07 setembro 2006

Na Rota das Tascas 4

Eu bem me parecia que faltava algo nas tascas por onde andei...

06 setembro 2006

Onde estava este homem no 5 de Julho de 2006?

O caçador de Rio Cortiço

Rio Cortiço é uma praia cheia de particularidades, quiçá, um caso único no panorama costeiro português, facto que obriga a um segundo post.
Depois do caso do nadador salvador acampado num areal deserto há um bazófias que exibe na sua tasca, a tal da bela feijoada de búzios, um conjunto de fotografias com os seus principais troféus.
De todos os excelentes registos que pude observar, espalhados por toda a parede, destaco particularmente este que demonstra toda a sua capacidade pesqueira. Reparem bem que não estamos a falar nem de um nem de dois peixes mas sim de um cardume inteiro que exibe com orgulho e com um ar ameaçador, qual pugilista pronto a entrar no ringue.
Mais do que um pescador estamos na presença de um verdadeiro caçador de peixes, um terror dos mares, alguém para quem a vida marinha não tem segredos.
O que vale é que quando vem cá acima faz uma bela feijoada de búzios.

04 setembro 2006

Ai esta gente...

Poucas serão as localidades no nosso país que possuam um Rego Travesso onde se possa estacionar. E, nesse sentido, a Amoreira, uma pequena vila junto a Óbidos, está na vanguarda.
Para evitar que os automóveis e demais veículos estacionem junto às portas das casas, impedindo que os moradores possam entrar e sair livremente, a autarquia decidiu construir um parque de estacionamento que é a alegria da vila. Decerto que depois desta construção a vida na Amoreira nunca mais foi a mesma.

O nadador salvador de Rio Cortiço

A vida solitária de um nadador salvador numa praia perdida algures na costa oeste. Uma pequena praia entre a Foz do Arelho e Pedras d'El Rey.

O tempo aqui é agreste e o nadador salvador tem uma vida complicada. A bandeira está quase sempre vermelha e a praia é pouca frequentada. Para passar as longas horas de espera por um aventureiro que se atreva a desafiar um mar batido e traiçoeiro resta um ipod e uma pequena tenda.
Outras praias, outros verões.

01 setembro 2006

O maior

O original.
Tudo o resto são cópias... imperfeitas.

Na Rota das Tascas 3

Tive algumas dúvidas em colocar esta tasca no roteiro por uma simples razão. Tem uma esplanada com vista para o quartel dos bombeiros o que contraria e descaracteriza todo o conceito de tasca. A esplanada impede o convívio e não deixa que os clientes do lado possam participar na nossa conversa. Quebra o ambiente. Mas, pronto, consideremo-la na categoria de tasca de Inverno.
Ao contrário das duas primeiras, que se localizam em Massamá, esta fica no centro de Carnaxide.
Chama-se "O Lérias" embora quem esteja ao balcão seja uma senhora.
Os copos são gelados o que convida à quebra de uma das grandes tradições tasqueiras: beber a mini pela garrafa. Embora em termos de degustação a mini na garrafa seja inultrapassável existe aqui o fenómeno desfeita e como é uma senhora a servir há que manter a sensatez.
O espaço interior é exíguo o que promete momentos de grande calor humano nos fins de tarde frios de inverno.
Quanto ao petisco nada de especial a salientar. Vale, acima de tudo, pela simpatia da senhora que está atrás do Balcão.

30 agosto 2006

O regresso

Papá olha, o tio Marko e a tia Sónia já regressaram

Na Rota das Tascas 2

Este sim já tem nome de tasca. Chama-se "O Garrano", nome de fibra e de raça. Minhoto ou transmontano, puro sangue, descende do cavalo árabe. Pele castanha a tender para o escuro. Cabeça fina mas vigorosa e máscula. Adaptável ao meio responde de acordo com as suas origens e a forma como foi criado. É raça de cavalo e aqui é nome de tasca.
Neste local o cavalo tem sobrevivido ao homem e vai fazendo jus à tradição. Já teve vários donos e várias montadas mas conserva o porte tradicional sempre fiel às suas origens.
As asas de frango fritas servidas frias ao fim da tarde acompanham a mini e aconchegam o estômago antes do regresso a casa. Amanhã é outro dia.

O Curandeiro de Viseu (cortesia Nuno Teixeira)

29 agosto 2006

E agora uma adivinha

Este gajo jogou no Benfica. Alguém se lembra dele?

Lisboa, ano 2006

Lisboa, 29 de Agosto, 35º
Este complexo fabril localizado em Alfragide tem um sistema de ar condicionado inovador.
No telhado de lusalite estão colocados sistemas de rega que molham o telhado refrigerando o seu interior. A água sempre é um bem público e um ar condicionado custa dinheiro.
Não me atrevo a imaginar a temperatura que estará no interior das instalações deste complexo fabril porque fico com calores são de pensar nisso.
Para que conste, e para que me venham bater à porta, Carunchinho estou a contar contigo, aqui fica o nome que ostensivamente, ou melhor, desavergonhadamente, figura na fachada da fábrica: Dalmata.

Na Rota das Tascas

Inicio aqui hoje um conjunto de posts dedicados a um património fundamental e pouco divulgado da cultura nacional. A tasca.
Incompreensivelmente esquecida por tudo o que é roteiro turístico, estes verdadeiros templos, onde a frescura da medida certa de uma mini se mistura com a discussão da bola e o trago de um penalti convertido à primeira, fazem parte daquilo que de melhor temos.
E começo naturalmente pelo Zé. Note-se que outra das particularidades destes locais de culto é o facto de ninguém os conhecer pelo nome que têm na porta. Esse nome, que geralmente é escolhido pelas mulheres, varia entre nomes de flores (tulipas e rosas são as preferidas) e designações carinhosas de lar que em nada dignificam quem está atrás do Balcão a servir vinho a copo. Este, por exemplo, chama-se Ninho, mas nós perdoamos-lhe, é o Zé.
A imagem de marca do Zé é a presença assídua dos ovos cozidos em cima do Balcão sob uma cama de sal que os suporta. Para além dos tradicionais caracóis, pipis e moelas há o ex-libris da casa, a cabeça de pato frita.

28 agosto 2006

"Cuba is now the world's biggest prison for journalists, with a total of 30 detained. Twenty-six of them were arrested along with some 50 other dissidents during an unprecedented crackdown in March. They were given prison sentences ranging from 14 to 27 years, in most cases for "threat to the state's unity and independence."
Reporters without borders

Ainda o Centenário

Ainda a propósito do Centenário do Sporting, desta vez não vou falar da sua tourada, ou melhor da tourada do Sr. Maurício do Vale (lá vou eu ter o Sr. Maurício à porta), queria dar aqui um exemplo de uma forma alternativa de se fazer uma comemoração sem magoar ninguém. Na cidade de Munique, todos os anos, realiza-se a lowen parade, um espécie de cow parade, mas com leões. Cada um faz com o que tem.

Os leões, à semelhança das vacas por cá, estão espalhados por toda a cidade e são decorados tematicamente. Este, por exemplo, tem como título: "Quem roubou a América?". Não, carunchinho, não vou cair na piada fácil de dizer que foi o Sá Pinto. Isso era se o título fosse "Quem bateu na América?".

Naturalmente que uma iniciativa destas só poderá acontecer num país civilizado porque por cá logo que estes leões fossem espalhados pela cidade seriam imediatamente vandalizados.

Olé 2...